Está nas nossas mãos

Numa sociedade orientada para o mercado, os consumidores têm uma enorme influência. A gama de produtos encontra-se alinhada com a procura. Isto significa que todos podem contribuir para a orientação das pescas e da aquicultura num caminho sustentável. O resultado de décadas de pesca excessiva e sem consideração começa a evidenciar-se: as populações piscícolas estão a diminuir e o sensível ecossistema oceânico foi seriamente danificado. Se continuarmos assim, não haverá apenas efeitos devastadores nas espécies marinhas, mas também em todas as pessoas que vivem dos tesouros do mar ou da pesca. A boa notícia é: os oceanos têm o potencial para alimentar milhares de milhões de pessoas – se nós tratarmos os recursos de forma sustentável. Com métodos inteligentes de pesca podemos evitar as capturas acessórias e dar às populações piscícolas a oportunidade de se recuperar. Em vez de maximizar o ganho a curto prazo, isto pode significar um benefício económico permanente a longo prazo. A pesca sustentável contribui para desenvolvimento económico estável e fixa os meios de subsistência das comunidades piscatórias e a produção dos trabalhadores do sector da pesca. Isto afeta-nos também na Europa e no Mediterrâneo onde existem 250.000 pescadores[1] – bem como centenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, que dependem direta ou indiretamente da pesca.[2] Quem é responsável? Enquanto entidades políticas devem definir as condições adequadas para tal, cabe ao consumidor levar a cabo uma mudança de mentalidade. Se o peixe de origem sustentável tiver uma maior procura, restaurantes, supermercados e importadores irão fornece-lo. Consequentemente, os produtores e os fornecedores reconhecerão o aumento no mercado de produtos de peixe e de marisco sustentáveis e alterar os seus métodos de pesca ou de produção nesse sentido. Portanto, pedir peixe oriundo de uma pesca ou a aquicultura sustentável ou procurar pelos respetivos logotipos como MSC ou ASC constitui já uma parte da solução. Está nas nossas mãos fazer uma verdadeira diferença.  
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[1] Comissão Geral das Pescas para o Mediterrâneo. Situação Atual da Pesca de Pequena Escala do Mediterrâneo e do Mar Negro. Estratégias e Metodologias para uma Análise Eficaz do Setor. Página 18. http://www.ssfsymposium.org/Documents/FullVersion/BPI.pdf [2] HLPE, 2014. Sustentabilidade da Pesca e da Aquicultura para a Segurança Alimentar e Nutrição. O relatório do Painel de Alto Nível de Peritos em Segurança Alimentar e Nutricional do Comité Mundial de Segurança Alimentar, Roma 2014. Página 34. http://www.fao.org/3/a-i3844e.pdf
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