Antecipando o Dia Mundial da Alimentação, que se celebra amanha, a organização global chama a atenção para os impactos da sobre pesca nos mares, na vida humana e na natureza

Ano Europeu de Desenvolvimento 2015 – dos 800 milhões de pessoas que dependem da pesca a maioria vive em países em desenvolvimento

Lisboa, 15 de Outubro – A WWF  apresenta hoje, em Lisboa, o novo projecto ‘Fish Forward – por um consumo responsável de peixe e marisco e um futuro para os oceanos’ que incentiva o consumo responsável de peixe e marisco, em Portugal e na Europa, junto dos consumidores, das empresas e autoridades, de forma a permitir a recuperação das unidades populacionais de peixe, actualmente sob pressão, e promover a sustentabilidade dos nossos oceanos.

O estado das populações de peixes ameaça a segurança alimentar humana devido ao sério declínio em que estas se encontram por todo o mundo, sendo que algumas apresentam um risco sério de colapso refere a WWF no relatório ‘Living Blue Planet Report ‘ (Setembro de 2015) onde se conclui também que, em média, a nível global e nas últimas quatro décadas, as populações de mamíferos marinhos, aves, répteis e peixes foram reduzidas para metade.

Algumas espécies de peixes chegam a apresentar um declínio de 75 por cento. Estas revelações representam problemas para todas as nações, especialmente para as pessoas dos países em desenvolvimento.

Cerca de 90 % dos recursos marinhos mundiais encontram-se sobre explorados ou totalmente explorados (mais precisamente 61% das unidades populacionais de peixes globais são plenamente explorados e 29% são sobre exploradas). Três mil milhões de pessoas dependem do peixe enquanto fonte essencial de proteína. “O rendimento e a vida de mais de 800 milhões de pessoas depende da pesca; a maioria destas pessoas vive em países em desenvolvimento”, diz Ângela Morgado da WWF, destacando ainda a responsabilidade social dos consumidores, empresas e autoridades e a importância das decisões responsáveis ao nível do consumo e compra de produtos do mar. “Tudo o que fazemos enquanto consumidores tem um efeito – positivo ou negativo – no estado do ambiente marinho.“

“Em tempos de crescimento da população mundial e da classe média, bem como de aumento da procura de produtos vindos do mar, o consumo responsável de peixe é inevitável. Só mesmo através de decisões de compra responsáveis poderemos ​​assegurar que o peixe continuará a ser uma fonte de alimento, de rendimento, bem como um sector económico importante no futuro”, acrescenta Ângela Morgado.

Portugal é o 3º maior consumidor mundial per capita de pescado. O consumo nacional é superior ao que a frota portuguesa consegue pescar dentro da União Europeia. A Europa é o maior importador mundial de produtos do mar e cerca de metade provém de países em desenvolvimento. “A escolha de produtos do mar sustentáveis tem impactos diretos sobre os meios de subsistência de pessoas na Europa e no mundo.”

Assim, por um lado, a WWF recomenda a compra de produtos do mar que tenham por base boas práticas, como a co-gestão, e preferencialmente locais. Por outro lado, devido à elevada dependência das importações, os produtos do mar com o rótulo MSC (Marine Stewardship Council) e ASC (Aquaculture Stewardship Council) são considerados uma escolha responsável.

A sessão de apresentação do projecto que decorre hoje no IP Camões, entre as 10 e as 12h, em Lisboa, conta com a presença de Sérgio Figueiredo do Camões IP, Nuno Ceitil que apresentará ‘A Sustentabilidade na Gama Alimentar da IKEA’ e dos membros da Comissão de Honra do Projecto que se comprometem, em conjunto com a WWF, a sensibilizar consumidores, empresas e autoridades para a importância das opções responsáveis no momento da compra de produtos do mar.

São membros da Comissão de Honra do projecto Fish Forward: Ana Paula Laborinho  (Presidente do Camões IP); Catarina Grilo  (Iniciativa Gulbenkian Oceanos), Gonçalo Carvalho  (Coordenador da PONG-Pesca), Henrique Cabral  (Professor Auxiliar da FCUL e Coordenador do MARE); Joana Seixas  (actriz e embaixadora da WWF), Mário Franco  (modelo e embaixador da WWF), Miguel Miranda  (Presidente do IPMA) e Tiago Pitta e Cunha  (Consultor do Presidente da República para os Assuntos do Mar).

Uma prova de produtos do mar certificados encerra a sessão.

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