Segundo um novo relatório da WWF lançado hoje, 82% do camarão capturado em Moçambique é exportado para a UE, principalmente para Espanha e Portugal. No entanto, embora as populações de camarão de Moçambique tenham sido historicamente abundantes, encontram-se agora ameaçadas.

A WWF apela aos consumidores europeus, especialmente da Península Ibérica, para fazerem escolhas informadas, apoiando, desta forma, uma urgente melhoria na gestão desta pescaria. Se nada for feito, a continuação da disponibilidade – e mesmo da sobrevivência – do recurso pode ficar em risco.

“Quando compramos camarões provenientes de Moçambique em Portugal ou Espanha, influenciamos uma cadeia inteira que inclui cerca de 850.000 moçambicanos (20% da população), que dependem da pesca como fonte de rendimento ou subsistência”, diz Angela Morgado da WWF em Portugal.

De acordo com o último relatório da WWF ’Um Caso de Estudo da pesca semi industrial e industrial do Camarão em Moçambique’, a captura de camarão de Moçambique caiu de forma significativa na última década e algumas populações estão agora à beira do colapso.

São várias as razões que explicam este decréscimo. Primeiro, todos os envolvidos pescam de forma insustentável. Os pescadores artesanais capturam camarão juvenil, antes de este se poder reproduzir; em águas mais profundas, a pesca com redes de arrasto utilizadas pelas embarcações industriais, coloca em risco os habitats de camarão, ampliando o impacto da sobrepesca.

Em segundo lugar, a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (pesca INN) representa um prejuízo para Moçambique de 36 a 67 milhões de dólares por ano, e torna bastante difícil a tarefa de monitorizar e gerir as populações existentes. Em terceiro lugar, a taxa de captura acessória pelas redes de arrasto de camarão tropicais é estimada em 85%, o que pode devastar os ecossistemas; ainda assim os pescadores são resistentes à mudança para formas de pesca mais sustentáveis, pois temem que diminuir as capturas acessórias signifique também menos camarão.

“Se acrescentarmos a isso o facto de Moçambique ocupar o terceiro lugar nos países africanos mais vulneráveis ​​às alterações climáticas e que o país se está a desenvolver rapidamente, mas com uma generalizada destruição dos habitats – incluindo mangais, que são maternidades vitais para o camarão – então temos a equação perfeita para que a espécie desapareça”, acrescenta Angela Morgado.

Mas a WWF acredita que ainda é possível colocar a pesca de camarão de Moçambique numa base sustentável oferecendo melhores rendimentos, impactos reduzidos no meio marinho, maiores margens e segurança a longo prazo – mas isso exigirá a colaboração e compromisso de todos os envolvidos e um regime efetivo de gestão e controlo.

A WWF faz notar que os consumidores e empresas portuguesas/espanholas podem influenciar significativamente a situação em Moçambique, exigindo camarão sustentável. Os consumidores devem procurar camarão certificado pelo MSC ou ASC, ou verificar o guia de consumo de pescado da WWF (guiapescado.wwf.pt).

“Se a procura continuar a crescer e a pesca não for bem monitorizada, as consequências podem ser devastadoras. As exportações do camarão de Moçambique são de grande importância para a economia local e regional, especialmente para as comunidades costeiras. Estão a ser efetivados esforços para melhorar a pescaria, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Em última análise, a situação só se irá alterar se todos fizermos escolhas conscientes para fortalecer o futuro dos oceanos e os seus recursos, do mar ao nosso prato. Uma das melhores formas de o fazer é apoiar a produção sustentável nos países em desenvolvimento”, conclui Angela Morgado.

Sumário Executivo (em ENG) :WWF_Mediterranean Fishing Report 2017_AF2

Factsheet em ENG: WWF_EN#Factsheet_MoçambiqueAF2

Ficha Técnica em PT: WWF_PT#Factsheet_MoçambiqueAF2

 

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